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Bons ventos sopram a favor do Piauí

19/10/2015 -  Por  Efrém Ribeiro, do Meio Norte

 

Atualmente, no Estado, 40 usinas de energia eólica estão implantadas ou sendo implantadas, com investimentos de R$ 10 bilhões, da Pedra do Sal, em Parnaíba, no Norte do Estado, até Marcolândia, na Serra do Araripe, na divisa piauiense com Pernambuco.

São investimentos iniciados pela empresa europeia Tractabel Energia, da GDW Suez, que foi pioneira ao produzir 18 megawatts com uma usina na praia Pedra do Sal, em Parnaíba, no litoral. Em seguida, se instalou a empresa mineira Ômega Energia, que produz 35 megawatts e com nova usina na Pedra do Sal vai produzir 74,86 megawatts. Na Serra do Araripe, investimento da Casa dos Ventos, do empresário cearense Mário Araripe, seguido pela Contour Global, GE, dos Estados Unidos, Queiroz Galvão Energia e Votorantim, e a estatal Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), do Brasil, além de novas empresas que participarão do leilão de novas usinas no leilão marcado em novembro pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O governador do Piauí, Wellington Dias, informa que o Estado é considerado hoje o quinto maior produtor de energia eólica do Brasil. Wellington Dias destacou que há uma enorme procura das empresas nacionais e estrangeiras pelo potencial do Estado na produção de energia eólica e solar.

"Temos potencial eólico no litoral e no semiárido, onde há também grande perspectiva de energia solar. O Piauí é hoje o quinto maior produtor de energia eólica do Brasil”, falou Dias.

Ele diz que o Piauí tem a perspectiva de alcançar cerca de 11% da produção brasileira de energia eólica nos próximos anos e ter, em um período de três anos, o maior parque eólico e a maior produção de energia eólica da América Latina.

O secretário estadual de Petróleo, Mineração e Energias Renováveis, Luís Coelho, disse que o Piauí já produz mais energia limpa do que consome. Atualmente, a produção do Estado alcança 1.200 megawatts por mês.

Segundo ele, a infraestrutura já existente, somada aos investimentos que chegam, traz a perspectiva de que o Estado seja o maior produtor de energia eólica da América Latina em um prazo de três anos.

Wellington Dias afirma que a energia eólica é a fonte de geração de energia elétrica que mais cresce no Brasil. Para os próximos anos, são esperados mais de 19 mil empregos, R$ 6 bilhões em investimentos, 2,7 milhões de casas abastecidas e 1,3 milhão de toneladas de CO² evitados em virtude da utilização desta fonte de energia.

Só em 2015, serão 113 novos parques eólicos em andamento com uma capacidade total de 2.7GW.

Piauí deve ultrapassar Ceará na geração de energia

A Casa dos Ventos está fazendo um investimento de R$ 7,1 bilhões nos próximos anos em projetos de energia eólica na região da Chapada do Araripe, no Piauí. Quando concluídos, devem gerar mais de 1.200 megawatts.

A Casa dos Ventos já inaugurou o primeiro deles ainda em 2015 e o segundo está previsto para 2017. O Piauí, que tem prospectado muitos investimentos na área, caminha para ultrapassar o Ceará em geração energética eólica, para ficar atrás só do líder no setor, o Estado do Rio Grande do Norte. (Há contradição com os dados que seguem abaixo).

De acordo com o diretor executivo da empresa Casa dos Ventos, Clécio Eloy, o empreendimento na Serra do Araripe, uma vez que o parque esteja em pleno funcionamento, a energia gerada atenderá contratos de leilões de energia promovidos pelo Governo Federal em 2013 e 2014.

"No Piauí, a Casa dos Ventos tem hoje 4,9 GW em projetos, o que representa 87% do potencial competitivo do Estado. Esse volume coloca o Estado em uma posição de destaque no cenário brasileiro", falou Eloy.

Clécio Eloy afirma que uma única torre é capaz de gerar energia para todo o município de Marcolândia. "O Piauí responde por 1,4% da energia eólica produzida no Brasil, em 2017 produzirá 10,4% da energia eólica do país, ficando atrás apenas da Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Rio Grande do Sul. Isso representa que, em 2017, o crescimento do Piauí nesse quesito será maior que o do Brasil", falou. 

Nos cálculos do governador do Piauí, Wellington Dias, foram arrendadas 1.913 propriedades para a instalação de torres e de infraestrutura de execução das obras, o que compreende 65 mil hectares.

"O bom disso é que o pequeno proprietário de terra não teve que vender sua propriedade. Com esse arrendamento, o produtor rural já tem uma renda extra. Mas precisamos regularizar, junto ao Estado ou à Prefeitura dos municípios, os títulos de propriedade dessas terras. Para que todas as operações possam estar dentro da legalidade", falou Wellington Dias.

Maior conexão de geração de energia eólica no Brasil fica no Piauí 

 A maior conexão de geração eólica do Brasil foi energizada em agosto deste ano e fica no município de Curral Novo do Piauí, na Serra do Araripe. Construída em apenas 12 meses, com investimento de R$ 100 milhões, a conexão permite o escoamento de 1.200 MW (megawatts) de potência para o Sistema Elétrico Brasileiro.

A partir da Subestação Curral Novo do Piauí II (confirmar se é esta mesmo) começou a ser escoada a energia de 6 grandes complexos eólicos: Ventos do Araripe I (210 MW) e Ventos do Araripe III (366 MW) pertencentes à Casa dos Ventos; Caldeirão Grande I e Caldeirão Grande II (415,8 MW), da Queiroz Galvão Energia; Chapada do Piauí II (172,4 MW), uma parceria da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) com a Contour Global; e Chapada do Piauí III (59,2 MW) pertencente a Contour Global. A subestação receberá dos parques eólicos energia na tensão 230 kV e a elevará para 500kV, para então distribuí-la no Sistema Elétrico Brasileiro.

A subestação Curral Novo, que possui 6 autotransformadores (cada um deles com 200 MVA de capacidade) foi concebida e projetada para uma futura expansão, através do seccionamento do 2º circuito da Linha de Transmissão 500 kV São João do Piauí – Milagres, quando poderá atingir 2.400 MW de potência injetada no sistema, viabilizando o escoamento da energia dos futuros parques eólicos daquela região, garantindo ao Estado do Piauí autossuficiência energética e transformando-o em exportador energia para todo o Brasil. Esta é a maior obra de subestação elétrica privada do país. “Ainda existe a previsão da duplicação da subestação, que será antecipada de 2019 para junho de 2016, permitindo a continuidade do processo de implantação dos parques da Chapada do Araripe”, falou Clécio Eloy, diretor executivo da empresa Casa dos Ventos.

A subestação de Curral Novo secciona uma importante linha do Sistema Interligado Norte-Nordeste, em uma região de difícil acesso. Além de contribuir para a melhoria da infraestrutura elétrica da região, a construção e operação do empreendimento tem sido um importante gerador de empregos para os municípios no seu entorno. Durante o período de obras foram gerados cerca de 1 mil empregos diretos e indiretos. 

Parque eólico do Araripe vai produzir energia para 450 mil unidades 

O trabalho é intenso na Usina Complexo de Ventos do Araripe I, da Casa dos Ventos, na Serra Vermelha, nos municípios de Simões e Marcolândia. Guindastes levantam hélices com peso de 1.600 toneladas para o topo das torres. A área é de poucas residências, mas moradores mantêm o plantio de mandioca, base da economia das duas cidades.

O executivo do parque eólico, engenheiro Aldrin Borges, afirma que o parque vai produzir energia capaz de abastecer cerca de 450 mil unidades com energia. Segundo ele, o parque está sendo erguido por 220 funcionários para a montagem de 105 aerogeradores, cada um deles com capacidade de produzir 2 MW (megawatts) por hora.

“A potência instalada é de 210 MW”, afirmou Aldrin Borges, acrescentando que a usina começou a ser implantada em maio de 2014 e a meta é que seja concluída em dezembro deste ano. Os investimentos na implantação ficaram em torno de R$ 1 bilhão.

A Usina Ventos do Araripe I faz parte de um complexo, que foi iniciado com a Usina Chapada do Araripe Blocos Norte e Sul. Sete parques eólicos foram vendidos e feitas parcerias com a Contour Global e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). No Bloco Sul, há sete parques eólicos da Casa dos Ventos, todos dentro de Simões.

O parque eólico conta com investimentos de R$ 7,1 bilhões, iniciados em julho de 2014 e que vão até dezembro de 2017, e capacidade instalada na ordem de 1,4 gigawatt (GW) de energia. Com isso, o Piauí passa a produzir 181% da energia que foi consumida no ano de 2013 e poderá ser exportador de energia. 

Queiroz Galvão Energia implanta duas usinas de produção de energia eólica no Piauí 

A Queiroz Galvão Energia, a QG Energia, está construindo dois novos complexos de produção de energia eólica, Caldeirão I e Caldeirão II, na Serra da Batinga, em Caldeirão Grande do Piauí, que juntos, somam 154 aerogeradores e 416 MW (megawatts) de capacidade instalada. Os investimentos da empresa no Piauí são de R$ 2 bilhões para a implantação dos parques eólicos em 7 mil hectares de área.

O superintendente de Implantação da Queiroz Galvão Energia, Ricardo Vicentini, afirmou que os dois parques eólicos da empresa iniciarão sua operação no primeiro trimestre de 2016.

Segundo ele, os complexos de energia eólica serão construídos em duas etapas, a primeira delas com sete parques eólicos, que produzirão 208 MW; e no próximo ano serão construídos sete parques eólicos, com mais 208 MW, totalizando 416 MW.

Entre os motivos para investimentos dessas empresas no Piauí estão os incentivos concedidos pelo Governo Federal e, principalmente, a velocidade dos ventos no Estado, que é de dez metros por segundo. Na Europa, a velocidade cai pela metade.

Ricardo Vicentini afirma que a região da Serra do Araripe possui bons ventos, um dos melhores do Brasil. “Há três anos, identificamos esse potencial no Piauí para a produção de energia eólica. Fizemos medições, projetos, prospecções e está sendo concretizado o empreendimento”, afirmou Vicentini.

A Queiroz Galvão Energia participará do leilão de novas áreas no leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de novembro. 

Ômega Energia investe R$ 50 mi e amplia seu parque eólico 

Com 400 empregados e já operando com 35 aerogeradores e capacidade de produção de energia eólica de 70 MW (megawatts), na praia da Pedra do Sal, em Parnaíba (345 km de Teresina), a Ômega Energia está ampliando seus investimentos no Piauí em R$ 50 milhões para a implantação de mais 34 aerogeradores, que irão produzir 74,2 MW.

O engenheiro ambiental de implantação da Omega Energia, Samuel Torres, afirma que com a ampliação, a empresa de energia eólica terá 69 aerogeradores implantados na praia da Pedra do Sal, em Parnaíba, e no município de Ilha Grande, no litoral piauiense, com capacidade de 144,8 MW. 

O presidente da Omega Energia, Antônio Bastos, disse que a empresa produz energia eólica, que é distribuída para a Eletrobras e usada de Parnaíba a Piripiri, na região Norte do Estado, e parte em Teresina. Segundo ele, dois dos parques instalados estão localizados no Delta do Parnaíba. O Delta 1 tem uma capacidade de 70 MW, já o parque eólico Delta 2 tem capacidade instalada de 74,8 MW. 

Espanhóis, portugueses e angolanos trabalham na implantação de usinas  

A movimentação no canteiro de obras dos parques eólicos é intensa com operários de todo o país e até do exterior. Eles estão construindo as bases das torres dos aerogeradores e uma subestação de energia elétrica. Nos canteiros de obras de implantação de usinas eólicas nos municípios de Simões, Marcolândia, Caldeirão do Piauí e Curral Novo do Piauí trabalham espanhóis, em maior número, além de portugueses e angolanos. 

A implantação dos parques eólicos da Queiroz Galvão Energia emprega 1.350 trabalhadores, sendo que 50% da mão de obra é de piauienses da região de Caldeirão Grande do Piauí.

“A gente tem programas de treinamento de mão de obra. A Queiroz Galvão é quem treina essa mão de obra com sua experiência e tenta aproveitar a mão de obra local”, falou Ricardo Vicentini, superintendente de Implantação da Queiroz Galvão Energia.

O armador português Guilhermo Alfredo da Costa Rego, de Lisboa, diz que está trabalhando há quatro anos no Brasil como operário da construção civil. Ele corta vergalhões no canteiro de obras da implantação de usina de energia eólica da empresa Queiroz Galvão, em Caldeirão Grande do Piauí. Ele disse que veio ao Brasil com mais 12 trabalhadores. 

“Para mim, estar no Brasil é bom e o salário no país compensa porque está em R$ 4,5 mil. É um pouco mais baixo do que em Portugal, mas lá não há trabalho”, falou Guilhermo Alfredo da Costa Rego. 

De acordo com o diretor executivo da empresa Casa dos Ventos, Clécio Eloy, o empreendimento na Serra do Araripe possibilitou a geração de 4 mil empregos diretos ao longo da construção da obra, com o aproveitamento da mão de obra local, e manutenção de cerca de 300 postos após a sua conclusão. 

Segundo ele, cerca de três empregos indiretos são gerados para cada emprego direto, o que representa 12 mil empregos indiretos para outras atividades na região. Cerca de trinta espanhóis trabalham na usina da empresa Casa dos Ventos, em Simões.

“Ouvi de um morador da região que a empresa de energia eólica vem, tira o vento do Piauí e não deixa nada. Isso é uma afirmativa equivocada. Só do que já está contratado, vamos pagar R$ 1,2 milhão por mês para os pequenos proprietários de terra que recebem as torres de geração de energia”, falou Clécio Eloy.

A Omega é uma das que mais empregam mão de obra na região de Parnaíba. O técnico de segurança do trabalho Kelson Pereira dos Santos está acompanhando as obras da ampliação de uma subestação de energia da Omega.

“Eu estava desempregado e me chamaram para trabalhar em minha função de técnico de segurança do trabalho. É uma oportunidade no mercado de trabalho e estou aprendendo mais”, declarou Kelson Pereira, que estava há três meses desempregado em Parnaíba. 

Investimentos que dão resultados à sociedade 

Ricardo Vicentini falou que tendo como um dos seus principais pilares de atuação, o compromisso com temas sociais e ambientais e a permanente atenção às realidades das comunidades onde atua, a Queiroz Galvão Energia (QG Energia) deu início a mais um importante projeto social: Educar Para Prevenir.

“A iniciativa, que tem como foco a comunidade de Caldeirão Grande-PI, é realizada em parceria com as secretarias de Saúde, Educação e Ação Social, com a assessoria do Centro de Prevenção às Dependências do município. A empresa também executa o Projeto Educar para Prevenir consiste na formação de profissionais da rede municipal, dentre professores, diretores de escolas, agentes comunitários de saúde, médicos, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, membros do Conselho Tutelar, bem como gestores das secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social, sobre temas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, assuntos sobre sexualidade, vulnerabilidades para DST/AIDS e gravidez precoce”, falou Ricardo Vicentini.

O projeto foi concebido de forma conjunta, pela QG Energia e os gestores municipais, a partir de demandas e necessidades do próprio município de Caldeirão. O objetivo principal é capacitar os profissionais locais para atuarem junto aos adolescentes, jovens e suas famílias, para prevenir o aumento de problemas relacionados aos temas-centrais do projeto.

A Casa dos Ventos também investiu em ações de cunho socioambiental, aplicando recursos na faixa de R$ 35 milhões em aperfeiçoamento tecnológico da população, melhoria da estrutura de algumas escolas para receber cursos de formação, saneamento básico e a infraestrutura local, melhorando estradas e acessos.