16/04/2015 voltar

Queiroz Galvão Energia entregará 750 MW eólicos em cinco anos

Companhia está concluindo fase inicial da estratégia para o setor e tem mais 400 MW para leilões deste ano

13/04/2015 – Por Lívia Neves, do site Brasil Energia

A Queiroz Galvão Energia completa ao final de 2016 sua fase inicial do planejamento estratégico para o mercado eólico. Em cinco anos, a empresa, braço para investimentos no setor elétrico do grupo Queiroz Galvão, terá colocado em operação 750 MW da fonte. Para este ano, tem 400 MW prontos para negociar, em leilões ou no mercado livre.

Boa parte da energia já negociada pela empresa, aliás, foi vendida no mercado livre. Nesta entrevista exclusiva, o CEO da companhia, Max Xavier Lins, fala sobre como ampliar os projetos neste ambiente de contratação. O executivo também aponta aumento no custo de equipamentos, afetado não só pelo câmbio, como também pelo número reduzido de fabricantes.

No ano passado a Queiroz Galvão Energia iniciou a operação de três complexos no Ceará e está para entregar outros três, no Rio Grande do Norte e Piauí. A empresa deve se concentrar unicamente na implantação destas usinas ou deve negociar novos projetos neste ano?

Iniciamos em março a operação em teste de Riachão (150 MW), no Rio Grande do Norte, e até o final de abril deve estar concluída, com início de operação comercial em maio. E temos mais dois outros complexos no Piauí, Caldeirão Grande I e II, que totalizam 400 MW. O primeiro deve entrar até o final deste ano e o segundo, até dezembro de 2016.
Nossos três primeiros complexos, Icaraí (65 MW), Taíba (60 MW) e Amontada (75 MW) no litoral do Ceará, foram concluídos ao longo de 2014, em março, junho e agosto.

Com isso completamos uma fase inicial do nosso planejamento, totalizando 750 MW eólicos até dezembro de 2016. Ou seja, em cinco anos teremos adicionado 750 MW, um desafio muito grande. Nosso portfólio é um mix de mercado cativo e livre [as usinas do Ceará foram negociadas no leilão de energia de reserva de 2009, as demais estão contratadas no mercado livre].

Agora temos bons projetos desenvolvidos, com medições de vento de longo prazo, certificações, estudos de conexão, na prateleira a espera de oportunidades comerciais. Estamos muito focado na implantação, mas em paralelo fizemos esse desenvolvimento, são 600 MW em todo o Nordeste.

O que está definido para os leilões deste ano?

Destes, temos 400 MW, aptos para entrar em leilão e já inscritos para as concorrências deste ano. Podem também ser objeto de transações no mercado livre. Mas isso faz parte de uma decisão estratégica.

Como está a negociação de projetos no mercado livre, principalmente do ponto de vista do financiamento?

Enxergamos o mercado livre de uma maneira muito positiva, pois ele pode e deve ser um vetor de expansão da geração. Entendemos que este ambiente deveria ser até mais estimulado pelo governo. A financiabilidade é um desafio. Os órgãos de financiamento preferem apoiar contratos de leilão. Não obstante isto, também têm financiado contratos de longo prazo no ambiente livre, mas com mais exigências, mais garantias, prazos mais longos de análise.

O que talvez pudesse ajudar na expansão do mercado livre é que os órgãos financiadores tivessem uma rapidez maior para aprovar os financiamentos e que pudessem financiar contratos de menor prazo. Atualmente eles gostam de financiar contratos de 20 anos, o que não é usual no mercado livre. É necessário desenvolver uma engenharia econômica que viabilize o financiamento de contratos menores, de oito, até 11 anos.

Isso não encareceria a energia no mercado livre?

Se a engenharia econômica de amortização for a mesma, sim. Mas existem formas criativas de montar uma engenharia econômica, com um portfólio onde o investidor se compromete a fazer a substituição dos contratos, depois de oito anos, por exemplo, por novos contratos; ter um fundo garantidor… Enfim, é exercitar a criatividade.

A gente precisa criar formas que abranjam também o mercado livre. Este pode ser um rápido vetor da expansão, principalmente neste momento em que o país enfrenta uma hidrologia crítica e boa parte das principais obras de expansão está com cronograma atrasado. Ou por falta de linha de transmissão, ou por licença ambiental. A fonte eólica demora muito menos para adicionar energia ao sistema, em 14, 15 meses podemos construir o projeto.

Temos visto preços-teto cada vez maiores para a energia eólica, neste ano o patamar chega a R$ 179 (no leilão de fontes alternativas). O que tem impactado o custo dos projetos?

Vários aspectos. Primeiro lugar, temos equipamentos dos quais boa parcela tem uma participação importante do dólar e do euro. Então o câmbio tem um impacto muito forte sobre os equipamentos.

O segundo aspecto é que nós temos um conjunto relativamente pequeno de fornecedores no Brasil. São poucos os fabricantes enquadrados nas regras do BNDES, principal financiador. Quando você tem poucos fornecedores disponíveis, a competição não é tão intensa. É preciso ampliar esse leque de fornecedores enquadrados nas regras para conseguir, pela competição, ter uma redução do preço.

Existe também um impacto da inflação, que está em 8%, que pesa sobre a mão-de-obra, os serviços. É um conjunto que faz com que o preço tenha que subir.

E para participar do leilão tem que fazer conta. O fato de o preço ter subido não significa necessariamente que o negócio tenha melhorado, os custos associados também subiram, principalmente o equipamento.

Onde há margem para diminuir os custos?

Esse é o grande esforço de todo o investidor. É uma engenharia que tem que ser feita desde o desenvolvimento da área. Que os novos parques eólicos sejam próximos aos complexos já existentes. Assim você compartilha os mesmos acessos, a mesma conexão elétrica, economiza no investimento de obra. Quando você faz isso, otimiza seu custo de manutenção, não é necessário criar muitas equipes.

Fazer uma única operação dos parques eólicos, também é uma saída. Aqui criamos o centro de operação integrado, que fica em Fortaleza, de onde operamos todos os parques do Nordeste inteiro e também as hidrelétricas. Isso é otimização.

Além disso, é importante buscar o equipamento que melhor se adeque às características do local. Existem muitas tecnologias que permitem que você analise qual é o melhor equipamento e qual é o melhor tipo de torre para aquele tipo de vento. Se você colocar um equipamento que não seja o mais adequado, você perde em eficiência.

As usinas do Ceará, que tiveram fatores de capacidade altos no ano passado, usam máquinas Suzlon, que não estão mais disponíveis para compra com apoio do BNDES. A Queiroz Galvão Energia passou a usar máquinas da Alstom nos novos projetos. A máquina tem grande influência no fator de capacidade ou é mais a localização dos projetos?

Os equipamentos da Suzlon estão disponíveis no mercado internacional mas não se enquadram nas regras do BNDES, o que é uma pena. É um conjunto de fatores, é óbvio que a máquina é um fator muito importante. A máquina Suzlon é uma ótima máquina para aquele tipo de vento, os resultados estão aí falando por si mesmos.

Segundo o ONS, nossos três parques do complexo Taíba e dois de Icaraí, estiveram entre os dez mais produtivos do Brasil todos os meses em que operaram. Isto porque têm uma máquina compatível com aquele tipo de vento, robusta. E também porque estamos fazendo um sistema de manutenção preventivo, que faz com que a disponibilidade da máquina seja muito elevada.

Mas não significa que aquela máquina seja a melhor para todo o tipo de vento. Quando fomos fazer o complexo de Amontada, vimos que tanto a máquina da Suzlon quanto da Alstom atendiam muito bem às características de vento do projeto. Então como a Alstom estava enquadrada e a Suzlon infelizmente não estava mais, optamos pela primeira. Para cada complexo, analisamos todos os fabricantes, para ver qual o melhor tipo de máquina, qual a altura de torre.

Como o senhor comentou, o número de fabricantes no Brasil está diminuindo. Considerando apenas a competição entre essas empresas, existe muita diferença no preço que era praticado em 2012 e no cenário atual?

No início de 2012, tínhamos aproximadamente 11 fabricantes enquadrados. Após a mudança das regras do BNDES, ficaram inicialmente cinco. Esse número está gradualmente crescendo. Acredito que com o tempo mais fabricantes entrarão e essa oferta maior acabará beneficiando a competição.

Os projeto nos mercado livre parecem ter mais equipamentos importados.

Sim. Imagine que eu estou vendendo a energia de um parque eólico para um consumidor no mercado livre que é exportador e que recebe pagamento em dólar. Ele pode estabelecer comigo um contrato em dólar. Neste caso eu poderia comprar o equipamento no exterior em nesta moeda sem os riscos cambiais.